quarta-feira, 22 de julho de 2009

Novos amigos!

Segunda-feira, 13/07. Temos um dia livre em Jujuy. O Paulo planeja voltar ao hospital aonde o atenderam para saber de seu real estado. Eu pego a minha jaqueta Suzuki, coloco em seu bolso esquerdo, o passaporte, CNH, licenciamento da moto e RG e vou com a Azuleika à JUJUY MOTOS sob recomendação de meu amigo skinner_rj, para troca da junta da tampa lateral esquerda que já apresentava vazamento de óleo e outros pequenos ajustes. Ao chegar na oficina me identifico como um motociclista brasileiro amigo de outros que lá estiveram em março deste ano com o skinner. "SKINNER???" - "Ah!!! skinner..." Um brilho surge no olhar de meu receptor e agora, um sorriso de satisfação se faz presente. A partir de agora começo a ganhar um novo amigo nesta viagem. Trata-se de Diego Liendo, filho de Miguel Liendo, proprietário da oficina. Diego me pergunta sobre skinner, se mudou de moto... Digo-lhe que agora está com uma Freewind e ele se mostra feliz, mas comenta: Não ía para uma TransAlp?...hehehe... Diego continua com a sua Kawasaki Ninja ZX-10R que se esforça para manter com aquisição de peças via e-bay. Chama o seu mecânico Marcelo para que lhe explique os serviços que necessito. Marcelo procura entender o meu portunhol e demonstra bastante paciência comigo. Pede que eu retorne às 17h30min para buscar a moto pronta.
Despeço-me de Diego e saio em busca de um taxi. Não senti nenhuma dificuldade com os taxistas de Jujuy. Sempre agiram honestamente comigo. Pedi a este taxista que me levasse a um restaurante regional pois eu e o Paulo combinamos de almoçarmos cada um pra o seu lado. Ele me levou ao Restaurante Viracocha. O seu ambiente é rústico e logo fui atendido pelo garçon Gustavo. Perguntei-lhe sobre um prato do cardápio denominado "Lhama com quenue". Gustavo me explica que quenue é um cereal e que trata-se de um prato mui rico. OK! Para acompanhar traga uma Quilmes de 1 litro...hehehe... De entrada me traz pão com uma pasta de aji (pimenta) e uma espécie de molho vinagrete. Quando chega o prato principal verifico que o cereal é um tipo de quirela de milho. A lhama cozida apresenta um sabor muito similar ao da carne de gado. Gostei! Diferentemente da nossa cozinha, a cozinha argentina não apresenta grande variedade de acompanhamentos. É sempre assim, uma carne e um acompanhamento. No final da refeição consigo com o Gustavo um prato de barro com o nome VIRACOCHA gravado em seu centro. É uma pequena lembrança que me custou 15 pesos argentinos. Agora só quero uma cama. O comércio por aqui funciona das 9h às 13h e das 17h às 21h. Agora é a hora da cesta... com licença...
Acordo as 17h30min e o comércio já retomou. Tenho que sair para fazer algumas comprinhas e preciso buscar a Azuleika. Preciso de notícias de minha companheira de viagem. Ao retornar a Jujuy Motos, a Azuleika já está pronta a minha espera. Marcelo, o mecânico, me explica que estranhamente os "tornillos" da tampa lateral esquerda estavam todos frouxos, o que ocasionou o vazamento. Trocou a junta que eu levei comigo, o filtro de óleo, troca de óleo (aceite) e corrigiu o mau contato nos conectores do relé do pisca traseiro, que insistiam em dar problema. Voltei a conversar com Diego que acabou por nos convidar para um jantar em restaurante de um amigo seu, Juan, também motociclista. Peguei seus dados e combinamos de nos encontrar no saguão de nosso hotel. Ao sair da oficina, presenteio Diego e Marcelo com um botom e um adesivo de meu motoclube, o ROTA X. Lembro que ainda tenho que fazer umas comprinhas. Busco uma nova calça jeans, umas meias de lã "secas" e um perfume argentino para minha mãe. Foi fácil encontrar e logo estou de volta ao Jujuy Palace Hotel, onde Paulo me aguarda. Conversamos sobre como será a nossa noite e ficamos aguardando a chegada de Diego. Ele chega por volta das 21h, faço as apresentações e vamos caminhando pela fria noite de Jujuy até o Restaurante Maranatha, de seu amigo Juan. Na porta uma Transalp aguarda por seu dono. Bonito restaurante... Diego nos apresenta a Juan e começamos a falar sobre a nossa viagem e ambos estão bastante interessados sobre o acidente de Paulo em Jujuy. Diego nos fala um pouco também de seu tempo de piloto de motocompetição em Salta, as dificuldades enfrentadas principalmente pela falta de apoio. Nos fala da bela região de Jujuy, das termas de Heyes, alí próximas, de maravilhosos passeios em Purmamarca e Humahuaca. Desta vez não dá, mas já começo a pensar em retornar com a minha esposa, para conhecer esta região de carro. Huuumm! Lá vem a janta... Desta vez fui de carne de porco com papas espanholas e o Paulo encarou uma Lhama...huahuahua... Comida muito saborosa! Para beber, desta vez deixei a Quilmes de lado e ataquei logo uma Cerveza Stella Artois de 1 litro, geladinha... hummm... que suavidade! Que amizade não frutifica com um cardápio destes.... Obrigado amigo Diego, obrigado amigo Juan, pela bela acolhida!

... skinner_rj... para de babar!!!!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Hora de voltar!

Domingo, 12/07. Sao 10h da manha e saimos do hotel apos pagar $ 44.000 pesos chilenos por duas diarias no Hotel Cruz de Atacama, bem simples, sem desayuno. Abastecemos nossas motos no Posto COPEC, unico na cidade, bem proximo ao hotel e nos dirigimos a aduana chilena. Entregamos a folha da imigracao, carimbamos os passaportes e somos liberados. Comecamos o percurso em direcao ao Passo de Jama. Desta vez nao ha vento, so um frio tipico da regiao. O vulcao Lincancabur nos acompanha posicionado a nossa esquerda, majestoso, imponente, ja com um pouco de neve no seu topo. Fico imaginando como seria a erupcao deste monstrinho, com os rios de lava vulcanica que se formariam. O solo do atacama e rico em minerais como boro, lithio e outros. Certamente de atividades vulcanicas do passado. Isto aqui e um paraiso para estudiosos da Geologia. Subimos, subimos e subimos, cada vez mais, ate os seus 4.800m de altitude e o motor da pobre Azuleika sofre com a falta de ar da altitude. Vai aos trancos e mesmo assim houve momentos em que andamos a incriveis 20 km/h. Quase ajudei com os pes! O nosso objetivo era o de chegar a Salta. Para isso teriamos que pegar a Rota 40 na grande salina. Ao chegarmos na grande salina paramos para adquirir pequenas esculturas feitas de sal por artesoes locais. Comprei uma familia de lhamas e um cactus de sal. Nao vimos a Rota 40 mas sim uma pista no sal. Ai nao entro... Seguimos em frente e ja vislumbramos um novo destino, voltar a San Salvador de Jujuy. Mas entre nos e a cidade existe a Costa de Lipan com o seu famoso caracoles. Esta escurecendo... Sinto um calafrio so de pensar em fazer este trajeto a noite. Nao li relatos na internet de algum viajante brasileiro que o tenha feito de moto. Acho que sera mais um grande desafio a ser vencido po nos. E haja adrenalina. O sol se escondeu por tras da cordilheira e la vamos nos!... As curvas chegam e confirmo a minha impressao anterior de que descendo e bem melhor. Motor reduzindo, por ser a noite o transito e diminuto. So vi 3 veiculos subindo. om isto posso usar a pista toda para procurar o melhor trajeto, fugindo um pouco da regiao interna das curvas onde sempre existem pedrinhas e areias no asfalto. O Paulo depois me relatou que chegou a tomar uns dois sustos. A tensao e grande e ate me esqueco do frio... Que loucura estamos fazendo! Vou ganhando auto-confianca e quando chegam as luzes dos primeiros hoteis de luxo de Purmamarca, confesso que tive vontade de ficar por la mesmo. Nada disso! Vamos a Jujuy... Continuamos a viagem, quilometro por quilometro e o pensamento fixa-se no Hotel Panorama. Ao chegarmos novamente a noite em Jujuy, redobramos os cuidados com os perigos da cidade. O Hotel Panorama nao tem vaga e vamos procurar outro. Rodamos e rodamos... Num sinal de transito, quando olho ao lado quem esta? A nossa amiga Paula em sua camionete ISUZU vermelha. Leva-nos ao Jujuy Palace Hotel, hotel 4 estrelas, com diaria em apto. duplo de $ 233 pesos argentinos. Muito bom o hotel, com WI-FI, quarto amplo... Dormimos com os anjos!

domingo, 12 de julho de 2009

Turismo em San Pedro do Atacama

Sabado, 11/07. Ontem, logo apos chegarmos, ja compramos um pacote de tour aos Geiseres del Tatio e ao Vale de La Luna, ao preco de $ 22.000 pesos chilenos para cada pessoa. O primeiro tour, aos geiseres tem horario de saida as 4h e retorno as 12h. O segundo tour, com saida para as 15h e retorno as 19h. Programa duplo para o sabado. Acordo as 3h30min e o Paulo nem dormiu, com tanta expectativa. O micro-onibus da empresa San Pedro Conection chega em nosso hotel as 4h30min, com atraso. Faz muito frio e embarcamos preparados para temperaturas muito baixas. Viajamos por cerca de 2h ate chegarmos aos geiseres. Dormimos no onibus com desconforto, mas o passeio promete... Muito frio nos geiseres mas o espetaculo esta garantido pois as colunas de vapor d'agua e o cheiro de enxofre tomam conta do lugar. O nosso guia, de nome Alan, explica sobre a formacao dos geiseres. Mais a frente o nosso onibus ja nos aguarda com o desayuno, com leite achocolatado, cafe com leite, sanduiches, agua quente para diversos tipos de cha, inclusive de coca. Tudo aquecido nas aguas dos geiseres ali, na hora. Fomos mais a frente em uma piscina termal onde alguns turistas mais corajosos se despem de suas roupas aquecidas e entram nas aguas termais. A temperatura ambiente e de -9 graus Celsius e dentro da piscina fumacenta a sensacao termica e agradavel, mas ao sair da piscina, o choque termico e inevitavel e, com isto, muitas cenas de strip-tease involuntario acontecem na pressa de se secar e trocar os trajes de banho por roupas quentes. Foi bastante divertido ver estas cenas... Na volta passamos por uma comunidade chamada Machuca, de criadores de lhamas, onde pudemos ver as casas, a igreja, os currais, mas nao as lhamas pois vao todas para o campo. As casas possuem uma cruz no telhado para afastar maus espiritos. Comi um espetinho de carne de lhama e nao vi muita diferenca em seu sabor para a carne de vaca. Apos muito rodar passando por varios cenarios curiosos, chegamos as 12h no hotel. Fui almocar sozinho uma vez que o Paulo resolveu tirar um cochilo. Paguei $ 1.750 pesos chilenos em um prato composto por 1/4 de pollo (frango) assado, com papas fritas (batatas fritas). Volto para o hotel e aguardo o horario para o segundo passeio. As 15h saimos n o mesmo micro-onibus, com o mesmo guia, rumo ao Vale de La Luna. Na primeira parada o guia expli8ca detalhadamente sobre a formacao geologica daquela regiao. Uma excelente aula de geologia. As paisagens sao lindas e por momentos chego a pensar que estou mesmo na lua. Nao ha como resistir e a todo momento fotografo uma nova paisagem, de um novo angulo. Leve uma boa camera, um bom par de tenis, um bone, agua mineral e prepare-se para caminhar na areia, em meio a fendas, ou sobre dunas de areia. O visual e espetacular! Vale a pena... Retornamos as 18h30min e caminho pela segunda vez ao terminal ATM Visa e constato que a maquina continua sem dinheiro como na parte da manha. Sou obrigado a fazer novo cambio. Por aqui R$ 1,00 real = $ 210 pesos chilenos e $ 1,00 peso argentino = $ 110 pesos chilenos. Apos cambiar fui com o Paulo comer uma pizza (???) que era o seu desejo. Interessante que com o frio de San Pedro do Atacama, em todos os restaurantes existem fogueiras e as mesas ficam ao seu redor para que as pessoas se aquecam. Que pizza fraquinha! Decepcionante... Melhor ir para a cama pois amanha comecamos a retornar.

sábado, 11 de julho de 2009

O grande desafio da travessia do Passo Jama

Sexta-feira, 10/07. Nos chamam de loucos, com inteira razao, mas confesso que e maravilhoso ser insano e poder desfrutar de momentos como o deste dia. Saimos do PASTOS CHICOS ja por volta das 11h30min, pois demora um tempao para arrumar a moto num frio daqueles. Primeiro que antes das 10h e impossivel sair de moto. O vento frio e cortante. Enquanto o sol nao se apresenta para aquecer nossos corpos, fica dificil sair. Tudo pronto, la vamos nos. Um lindo cenario se apresenta para nos, mas o vento forte e constante me preocupa. O frio eh congelante. Trocamos de luvas e passei a usar as minhas luvas polares. Emprestei a minha IXON para o Paulo. Agora melhorou um pouco. Retas e curvas fechadas, sempre acompanhadas de um lindo cenario da cordilheira. A Azuleika sofre muito com a falta de ar. Tambem, jah passamos dos 4.000m de altitude. Nao ha vestigio de neve ate agora, mas vimos rios congelados... Finalmente construiram um posto de gasolina proximo da aduana argentina no Passo Jama. Alias, um excelente posto com sala de conveniencia com coffe shop estrategico. Chegamos lah morrendo de frio. Tomamos um bom cafe quente. As pessoas que chegavam no posto ficavam surpresos conosco fazendo aquele trajeto de moto. Um pouco mais a frente e chegamos na aduana argentina. Uma burocracia danada... preenche ficha aqui. leva lah... Encontramos varios brasileiros por lah que nos davam a maior forca... Voces sao corajosos! diziam... Ultrapassada a fronteira, rodavamos agora em territorio chileno mas a aduana chilena fica em San Pedro de Atacama. Continuamos a subir ate os 4.800m e agora as coisas ficariam realmente dificeis. O frio aumentou e o vento continuava implacavel. As paisagens eram mais lindas ainda do que antes. Nao havia como passar por lah indiferente aquele cenario de majestosa beleza. Paravamos para fotografar e com isto o frio aumentava com o entardecer. Nao paravamos de subir e eis que surge o majestoso vulcao Lincacabur. Um gigante a nos observar. Jah achava que nao conseguiria suportar tanto frio. Minhas maos enrijeceram de frio e jah tinha dificuldade nos comandos. Colocava a mao no motor para aquece-la mas nao resultava em nada. Confesso que foram os momentos mais dificeis que tive passeando de moto. Quando comecamos a descer e a Azuleika comecou a recuperar a sua potencia me reanimei. A visao de San Pedro do Atacama foi decepcionante. Juro que esperava um pouco mais. A entrada da cidade parece um canteiro de obras com os barracos da peaozada. Na aduana, novamente aquela burocracia. Mas o pior controle e o da SAG, que controla a entrada de produtos de origem animal e vegetal no Pais. Por sorte pegamos um fiscal menos chato que soh examinou o bauleto naum olhando os alforges. Agora eh rodar nas ruas de San Pedro do Atacama e procurar um hotel e correr as agencias de turismo atras dos pacotes de passeio. CHEGAMOS ATACAMA!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

E Deus fez a Cordilheira...























































Quinta-feira, 09/07. Acordamos as 7h para definir se a viagem continua ou nao. O Paulo me diz que as dores diminuiram, mas que ainda sente quando forca no local. Testou a moto e se disse em condicoes de continuar. Obvio que vai fazer um sacrificio pois sonhou tanto com esta viagem... OK! Vamos arrumar as nossas coisas entao. Nossa! E tanta coisa que so conseguimos sair do hotel as 10h30min. Mas Deus esta conosco! Colocou um lindo sol de volta para nos como se dissesse: Vao e vejam a obra linda que fiz! Realmente, o dia estava lindo, com um ceu azul e branco, como se fosse a bandeira argentina... um verdadeiro azul celeste! Demoramos um pouco para sair de Jujuy mas, mais uma vez a bandeira do Brasil que carrego na minha mala de tanque e alforges foi util. Um cidadao argentino dirigindo a sua pick-up nos viu tomando informacoes na rua e me chamou. Tratava-se de um medico que estudou no Brasil e falava fluentemente o nosso idioma. Prontificou-se a nos ajudar e nos levou a um posto de gasolina rodando em seu carro cerca de 5km fora de sua rota. Que bonito ver isso! O povo argentino que conhece o Brasil sempre nos ajudando... Muito obrigado! Seguimos numa estrada linda rumo a Susques e a todo instante temos que parar para documentar a beleza da paisagem.















Fazemos muitas fotos e videos. A altitude aumenta a cada vilarejo que passamos com suas construcoes extremamente simples mas eficazes. A Azuleika comeca a sentir os males da altitude e eu tambem. Respiro mais intensamente a procura de oxigenio. Podem ate falar que enlouqueci pelo efeito da altitude, que vi coisas, pois vi mesmo... Montanhas lindas exuberantes, montanhas amarelas, verdes, azuis, vermelhas, cinza... rio de pedras por onde corre a agua do degelo... estrada sinuosa repleta de curvas ascendentes e descendentes, vi um salar, vi o deserto, muitos cactos que so crescem sobre montanhas cinzentas. De fato, Deus esteve aqui e caprichou!!! Quem nunca esteve aqui nao sabe o que esta perdendo. Mas amanha tem mais pois no Passo de Jama teremos ainda o Vulcao Licabur. Digo amanha pois ficamos por aqui, depois de 4 km da vila denominada Susques, hospedados no Hotel e Restaurante PATOS CHICOS. Eu e a Azuleika estavamos sofrendo muito com a falta de ar causando um mal estar imenso (soroche). Se desse 10 passos ja me sentia fraco, sem ar, a ponto de desmaiar... Qualquer esforco fisico era muito sentido. A primeira coisa que fiz apos abastecer a Azuleika, que chegou no fim da reserva, foi entrar no hotel e tomar um cha de pupunha (raiz nativa da regiao) que alivia o mal estar do soroche. Acho que o efeito foi ampliado pois nao haviamos almocado ainda. Jantamos em seguida e agora ja me sinto melhor, mas a respiracao ainda e complicada. Amanha as 9h partimos para o Passo Jama.

Replanejando a viagem

Quarta-feira, 08/07. Acordei cedo preocupado com o Paulo pois ele deve ter passado a pior das suas noites naquele hospital de Jujuy. Programei-me para pega-lo as 9h seguindo orientacao do medico, mas antes disso a Roberta, namorada do Paulo ja me ligava pedindo para busca-lo no hospital pois ja tivera alta e sentia muito frio. Corri para la com a sua jaqueta mas nao o encontrei. Me disseram que ele havia ido embora. Ligo para Roberta e ela me diz que ele estava na cafeteria. Fui ate la e nao o achei. Depois de muito andar pelo hospital encontrei-o morrendo de frio pois vestia uma camiseta regata. Estava la sem dinheiro algum e ate emprestaram algum para ele...hehehe... Solidariedade! Que bom saber que isto ainda existe. Levei-o para o hotel para tomar um bom banho e refazer o curativo. Gracas a Deus nao passou de um susto e o tombo so lhe causou um hematoma no quadril e um arranhado. Esta mancando por causa da luxacao mas logo isso passa. Conversamos sobre a nossa viagem e ficamos de ver se no dia seguinte ele conseguiria andar de moto. Por hoje so descanso! Se conseguir partimos amanha para San Pedro de Atacama e deixamos de ir a Iquique por falta de tempo. Hoje tambem esfriou muito em Jujuy e quando isto acontece aqui no Passo de Jama fica mais frio ainda. Espero que amanha faca sol. Por hoje almocaremos com a Paula e seu namorado pois somos muito gratos ao que fizeram por nos. Fomos a Parrillaria Los Naranjos e experimentamos os grelhados argentinos. Muito curioso os diferentes cortes de carne bovina que eles tem aqui. So faltou o cupim pois o gado daqui tem menos cupim do que o nosso zebu e nelore. Exportam tudo! Aprovei a parrilla e achei genial o modo que servem as carnes sobre uma tabua com acompanhamento de salada ou papas fritas com ovos (batata frita com um omelete de ovos por cima). A Quilmes nao poderia faltar! Depois fui a mecanica de motos aonde deixei a Azuleika para troca de filtros de oleo e de ar. Localizei o problema eletrico que nao passava de um fusivel de 30A zinabrado. Mas a mecanica era bem fraquinha. So eu sei o que passei la dentro. Nunca mais volto la! A moto do Paulo ja esta alinhada, lavada e guardada no estacionamento a espera de seu dono. A minha so vai tomar banho amanha pois na hora que cheguei ao estacionamento com ela o lava-jato ja estava fechado. Alias, em Jujuy e muito curioso o horario do comercio. Abre as 9h e fecha as 13h para almoco. Reabre as 17h e fecha as 21h. Sao 4 horas de descanso para a sesta... Os bancos abrem as 9h e fecham as 14h! Enquanto isto o Paulo se recupera no hotel. Amanha temos o teste para ver se a viagem continua ou nao.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Triste final.

Terca-feira, 07/07. Cinco horas da manha e jah estamos nos vestindo e colocando nossas coisas em nossas motos. O dia vai ser dificil pois teremos cerca de 1.000km para percorrer ate San Salvador de Jujuy. Saimos bem dispostos e a viagem rende bem. Passamos por Corrientes aonde paramos aenas para abastecimento. Sao retas e mais retas transpondo a provincia do Chaco. A viagem comeca a ficar bastantecansativa mas mantemos um bom ritmo. Paramos para desjejuno num Comedouro bem simples. Ali nos servem cafe com leite, bolachas de sal com manteiga e doce de leite. A viagem prossegue e diversas vilas ficam para tras ate por volta das 13h quando paramos para almocar em Pampa de Los Guanacos, num restaurante rustico, onde escolho costeleta de porco e o Paulo uma massa. A costeleta eh bem grande e se faz acompanhar de uma porcao grande de pure de batata e soh, naum vem arroz ou feijao. A massa do Paulo vem com dois pedacos de carne de gado assada e molho. Comida bem simples, mas saborosa. Apos o almoco as retas continuam mas sob um grande calor de 34 graus. Suamos muito sem sentir e nossas roupas ficam molhadas de tanto suor. Fazemos fotos e filmagens na estrada. A Azuleikabaixou bastante o nivel de oleo e chegou a hora de colocar aquele 1 litro que levo de reserva. Vamos em frente... As cidades vao passando e a quilometragem avancando, mas o sol comeca a descer. Aqui temos luminosidade natural ate por volta das 19h. Passamos por Joaquin V, Gonzales por volta das 18 horas e jah sabemos que soh chegaremos ao nosso destino ao an oitecer. O Paulo se mostra preocupado com isto e sugere que fiquemos em Metan, a cerca de 18 km fora de nosso roteiro. Argumento que isto vai atrasar bastante a nossa viagem, impedindo a partida para o Passo Jama no dia seguinte a partir de Jujuy. Abastecemos e tomamos muitas informacoes sobre a estrada em um posto de gasolina e nos convencemos a seguir em frente. A estrada para San Salvador de Jujuy eh boa, de pista dupla, bom pavimento. Sao cerca de 260 km a serem percorridos e ja se aproxima das 19h. Vamos a Jujuy! Viagem boa apesar do longo dia que tivemos. Chegamos por volta das 21h30min. Uma linda cidade vista a noite, Jujuy nos aguarda com novos desafios. Ao entrar na cidade, buscando por um restaurante para jantarmos e depois nos dirigirmos a um hotel o meu companheiro Paulo foi pego por uma armadilha das cidades. As "tartaugas" divisoras de transito. Ainda bem que estavamos bem devagar, a cerca de 40 km/h, pois olhavamos para o lado a todo momento procurando um restaurante que nos indicaram. Quando olhei para a fente, vi as "tartarugas" jah bem proximas mas consegui evita-las passando muito proximo, mas meu companheiro naum as viu e teve a sua moto descontrolada provocando-lhe uma queda. Com a moto quase nada aconteceu, mas com o Paulo o tombo foi feio. Por estar bem equipado naum teve piores consequencias resultando apenas em uma grande luxacao no quadril e um ralado pequeno. Uma noite no hospital em observacao, e felizmente jah estah comigo reunindo forcas para continuidade de nossa viagem. Entretanto, jah decidimos que naum iremos mais a Iquique por limitacao do tempo disponivel para a nossa viagem. Estamos avaliando o melhor momento para travessia do Passo Jama uma vez que estah bem frio aqui em Jujuy. Neste dia, surgiu em nossas vidas a figura de um anjo que muito nos ajudou a enfrentar os contratempos deste final de dia de viagem em Jujuy. Trata-se da Paula, uma argentina que fala bm o nosso portugues e esteve comigo a todo momento atuando como interprete junto a policia de Jujuy e ao corpo medico do hospital de jujuy onde o Paulo ficou internado em observacao. A voce Paula, o nosso "gracias" de coracao, por tudo que fez, dando um verdadeiro exemplo de solidariedade e espirito de humanidade.

Argentina: CHEGAMOS!

Segunda-feira, dia 06/07. Acordamos bem cedo. Faz um belo dia em Foz do Iguacu e saimos rumo a fronteira com a Argentina, mas antes fazemos cambio com o peso argentino cotado a R$ 0,56. Chegamos na aduana brasileira e fomos primeiro a ANVISA para nos informarmos sobre as precaucoes quanto a gripe suina. Preenchemos um formulario para acompanhamento e nos dirigimos a aduana brasileira aonde entregamos a nossa declaracao de bens transportados. O fiscal a carimba, sem mais perguntas e vamos para a aduana argentina. Uma pequena fila de veiculos aguarda o desembarace e isso nos deixa apreenssivos. Que nada! Passaporte carimbado e vamos para os fiscais que apenas se limitam a nos perguntar se estamos com nossos documentos, RG, carta-verde, passaporte e se jah o carimbamos. OK! Podem entrar... Como foi facil! Pergunto sobre a situacao de um amigo que desistiu de viajar pois naum obteve a autorizacao da financeira pois a moto naum estava em seu nome. O fiscal me disse que bastava um procuracao publica... Iniciamos a viagem em territorio argentino e logo fazemos nosso primeiro abastecimento com a famosa gasolina argentina. Temos 3 opcoes: Fangio, Super ou Normal. Colocamos a melhor por $3,76 o litro, enquanto a Super estava a $3,45. Vamos em frente! Chega um cruzamento e, preocupado com uma viatura policial, naum observo a placa que orienta o caminho correto e passamos em frente. Logo observamos pelo GPS o equivoco e retornamos para a estrada correta. Mais a frente uma guarnicao da Gendarmeria Nacional nos para e pedem todos os nossos documentos e fazem algumas perguntas. Sempre educados, nos liberam para seguir em frente mas puxo papo com um dos policiais e lhe dou um botton de meu motoclube, o ROTA X e ele ri de felicidade. Ali tb estava um belo labrador preto de nome Mino, farejador de drogas, aguardando ao lado do policial que o acompanha. Tiro fotos de Mino e vamos em frente. A estrada eh boa e estou encantado com a vegetacao daquela regiao argentina. A estrada eh bem arborizada e o clima bem ameno. Tocamos em frente e naum demora a chegar o rimeiro restaurante aonde fariamos a nossa primeira refeicao em solo argentino. Uma churrascaria... Existe um buffet e as carnes saum servidas, naum em espetos. Saum assadas em pedacos, com boa variedade de tipos, mas sempre bem passadas. Pagamos com cartao (tarjeta), alias raro por aqui quem aceite cartao de credito. Sempre pedem pagamento em pesos. Por volta das 14h entramos na provincia de Missiones e os carros que vem em sentido contrario lampejam os farois para nos avisarem de algo. Reduzo a velocidade e passo a acompanhar estritamente a sinalizacao. Dez minutos depois aparece uma barreira da Policia de Missiones e nos mandam encostar. Penso em pegar os meus documentos, mas antes mesmo, um policial se aproxima e diz para mim que existe uma infracao e uma multa de $500 pesos devera ser paga as 17h na municipalidade (que estah fechada naquele horario), mas que o juiz depois de paga a multa vai nos liberar facil pois nao somos de lah. MAS MULTA DE QUE? Pergunto ao policial desdentado. Excesso de velocidade! Aqui na area urbana a velocidade eh de 40 km/h... Pergunto: CADE A PLACA? CADE O RADAR? Ele aponta dizendo que uma viatura passou e alertou a eles por radio... E comeca com uma historia de que isso eh para a nossa seguranca, para o nosso bem. Diz que vai preencher a multa e eu ja sei o que ele quer... $$$$$... Pergunto: Existe algum meio de evitar essa multa? Si, quanto o senior pode dar? Que naum lhe faca falta? Possohe dar uma bela camiseta e para su madre tb... naum tenho dinheiro, Ele me olha com um brilho nos olhos e diz... mas sem dinheiro naum eh possivel... diga quanto pode! $50 pesos... Me de as camisetas e os $50 pesos que estah liberado... UMA VERGONHA! O povo da vila onde isto ocorre observa de longe. Todos sabem o que se passa ali. Ninguem faz nada! Isto acaba com a imagem do Pais... Prosseguimos em frente e naum muito distante nos param novamente, em plena Missiones, no posto policial para novamente nos achacar. Bato o peh e digo que jah paguei no posto anterior. O policial fala para mim meio decepcionado... liberado! Mas o outro policial naum libera o Paulo e pede que ele o acompanhe ate o interior do posto policial onde 3 policiais o pressionam a pagar propina. Ee diz que soh tem $10 pesos. Mas eh pouco! Pegue com seu colega mais dinheiro... Ele vem a mim para me falar o que esta acontecendoah dentro e paga mais $10 pesos para os policiais corruptos. Com isto atrasou a nossa viagem e naum conseguimos chegar a Corrientes. O trafego noturno eh muito perigos devido a presenca de animais na pista. optamos por sair de nosso roteiro dirigindo-nos a Itati, fora de nosso caminho para dormirmos lah. A cidade de Itati fica localizada a beira o Rio Parana. Muito simples e pobre, tem uma basilica linda, mostrando como a religiao se faz presente no interior. Uma construcao incomum demonstra a riqueza e pujanca da Igreja Catolica na Argentina. Ficamos hospedados numa hospedaria muito simples e nem restaurante existe aberto na cidade naquele horario. O jeito foi partir para as papas com fritas e empanadas regadas a Quilmes.

domingo, 5 de julho de 2009

Descansando em Foz

Hoje, domingo, 05 de julho, resolvemos adiar a nossa entrada na Argentina para amanhã pois tivemos que voltar ao Paraguai para concluir as compras e só retornamos às 11h. Até acabarmos de arrumar as nossas coisas já passava das 12h e depois teríamos que passar por duas aduanas. Com certeza não iríamos além de Posadas/RA. O Paulo também estava muito preocupado com a passagem pela aduana. Resolvemos então adiar a entrada para amanhã bem cedo. Assim, fomos ao Duty Free Shopp na Argentina, antes da aduana para fazer um reconhecimento. Passamos antes pela aduana brasileira e já pegamos os formulários de declaração de bens que viajam conosco que levaremos já preenchidos. Tomamos as informações e o Paulo está mais tranquilo. Quanto ao Duty Free Shopp argentino, sinceramente, é muito luxo, preço caro e ostentação. Achei uma frescurice. Só eu pude entrar pois o Paulo só portava a CNH e eles não a aceitam. Tem que ter o RG ou não entra. Lá dentro tem cambio para pesos argentinos na taxa de 0,57. Está acima da oficial (0,52) , cerca de 10%. Amanhã cedo vamos procurar um cambio melhor na cidade. Na parte da manhã estivemos na Casa China e vimos a forte estratégia de marketing adotada pela loja explorando a sensualidade de suas vendedoras. São vendedoras paraguaias muito bonitas, maquiadas e vestidas de sapato alto, meias finas, saias curtas, muito perfumadas que deixam os compradores do sexo masculino (maioria da clientela) em devaneios. Se essa moda pega no Brasil...

sábado, 4 de julho de 2009

Adorável mundo louco paraguaio.

Após os contratempos causados pela Azuleika com o vazamento de óleo que tanta preocupação me causou e tanto tempo me atrasou, finalmente cheguei ao encontro do meu amigo Paulo Moto em Cascavel. Ficamos hospedados no Sauipe Hotel, com diária de R$ 90,00 (apto.duplo), ambiente agradável, quarto confortável, nada a reclamar. Partimos neste sábado bem cedo com destino a Foz do Iguaçu, aonde chegamos por volta das 10 horas, passando por uma boa estrada, com paisagens agradáveis, pista bem conservada por ser pedagiada (R$ 3,60 + R$ 4,60), mas com uma temperatura mais baixa o que me levou a estreiar a minha luva SOLO X-Power. Agora a Azuleika já apresentava outro vazamento, de gasolina, constante, o que me trouxe uma nova preocupação. Procurar uma concessionária Suzuki em Foz para verificar o motivo deste vazameto e providenciar o reparo. Assim que chegamos fomos à Daytona Motos, onde fomos recebidos pelo mecânico-chefe Mizael, excelente profissional. Deixamos a Azuleika em suas mãos e nos hospedamos no hotel vizinho à concessionária de nome Hotel Ilha de Capri. Tive ótima impressão deste hotel com instalações mais simples, mas completo, com restaurante, piscina e um ótimo atendimento por parte de seu pessoal. Diária de R$ 70,00 em apto. duplo. Na recepção existe uma ave calopsyta de nome Tóc-tóc. Muito bela e mansa, dá as boas vindas aqueles que chegam. Após acomodarmos nossas bagagens partimos rumo às compras no Paraguai. Que País é este minha gente? Que coisa de louco é aquilo... Me ofereceram de tudo, de calientes chicas a R$ 50,00 a hora, a ecstasy, anfetaminas, farinha de coca, viagra, armas (até granadas). "O que quieres senhor? Temos de tudo..." TÔ FORA!!! Comprei meu notebook que já batizei de "Cérebro" para poder escrever este blog com mais facilidade, uns agrados para a esposa, sogra e mãe. Comprei também 7 pares de meias por R$ 10,00 e confesso que foi só para me ver livre do vendedor e tb 6 frascos de perfume paraguaio por R$ 50,00, pelo mesmo motivo anterior. Passei tudo na alfandega, menos as meias e os perfumes horríveis...argh! Paguei o imposto e chega... Incrível mundo de louco comércio de Ciudad Del Leste, onde as pessoas se misturam a carros de passeio, táxis em profusão, vans, milhares de motos que mais se assemelham a formigas em plena atividade. Curioso é que apesar de tudo eles se entendem perfeitamente e os acidentes não acontecem. O Paulo Moto pôs em prática o seu plano de compra de muambas e se arriscou a subir na garupa dos malucos motoqueiros paraguaios para atravessar a fronteira. Nem me pagando eu andaria naquela garupa... Por volta das 21h, o mecânico Mizael nos ligou no hotel avisando que a Azuleika estava pronta. A cuba de um dos carburadores simplesmente fissurou próximo ao parafuso ocasionando o vazamento. Conseguiu uma usada em bom estado e morri em R$ 300,00 no cartão de crédito. Valeu a pena? Claro que sim! Aonde conseguiria resolver este problema num sábado??? Nota DEZ para o Mizael e a Suzuki precisaria de ter muitos outros profissionais como este. Com isto retomamos o nosso plano de viagem com a entrada na Argentina prevista para amanhã. Cadê as fotos? Calma! Agora teremos videos e fotos por aqui by Paulo Moto. Aguardem...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quanta saudade! Mas aqui vou eu...

Chegou a hora da partida. Sete horas em ponto, a moto já estava preparada de véspera, ou melhor, terminei às 3h da manhã o seu preparo e dormi muito pouco de tanta ansiedade. Hora difícil a da despedida, e o tempo corre velozmente, muito mais do que a minha moto. Só consegui sair às 8h20min após as despedidas que tanto me entristecem. Deixar para trás pessoas a quem amamos para ir em busca de nosso destino não é fácil. Optei em fazer um caminho mais longo, mas com melhor estrada e isto me custou mais tempo, mais atraso.
Parada em Chapada dos Guimarães para levar algumas lembrancinhas para os amigos desta terra mística.


Passo por Rondonópolis para me despedir de mais duas pessoas muito importantes para mim: meu sogro e minha sogra. Almoço com eles que me enchem de perguntas sobre a moto, a viagem, o meu equipamento. Respondo cada uma delas, sempre com firmeza e convicção. Tranquilizo a eles sobre o sucesso desta nova viagem. Já saio por volta de 14h de Rondonópolis e tomo o rumo de Campo Grande. Entretanto, um problema mecânico que só fui detectar em Sonora/MS, me impediu de chegar ao meu destino neste primeiro trecho de viagem. Optei em pernoitar em Coxim/MS evitando esta perigosa estrada à noite. Estou portanto, a 250 km de Campo Grande. Sairei bem cedinho para chegar em Campo Grande onde tentarei resolver definitivamente o problema mecânico encontrado que só foi parcialmente resolvido. Tirei algumas fotos mas não consegui baixá-las aqui nesta lan-house onde me encontro. Amanhã coloco as fotos para todos verem como a Azuleika está linda e "carregada"... De resto, muito calor nesta estrada, muita transpiração e muita reposição de líquidos também. Fico aqui por hoje. Boa noite a todos. Amanhã a viagem continua...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dificuldades de última hora

Parece incrível, mas a todo momento algo acontece para nos afastar desta viagem. Serão sinais? Primeiro perdemos tragicamente o companheiro de viagem n3cr0n, depois o pai de um dos nossos faleceu, aí um fica desempregado, outro arranjou tanto trabalho que não tem como ir, a minha mãe me deu um susto com um problema cardíaco, mas felizmente já está recuperada. Restaram apenas eu e o Paulo. Agora falta mais o que? A "gripe suína"... Lá vem o nosso Ministro da Saúde alertar a população para não viajar para a Argentina e Chile pois a gripe se alastrou por lá. Já penso em mudar o meu destino de viagem viu... Quer saber? Vou para a Índia viu, vou tomar banho no Ganges! Quem sabe a gripe toma o Caminho das Índias... hehehe...
Por falar em tomar banho, alguém conhece a receita de um bom banho de descarrego?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O roteiro

Após traçar diversas opções de roteiros que pudessem ser executados em 20 dias, nos decidimos pelo roteiro Cuiabá - Iquique.
Ida: Cuiabá/MT, Campo Grande/MS, Foz do Iguaçu/PR, Puerto Iguazu/RA, Posadas/RA, Corrientes/RA, San Salvador de Jujuy/RA, Susques/RA, San Pedro de Atacama/CH, Calama/CH, Chuquicamata/CH, Iquique/CH - 3.860 km

Volta: Iquique/CH, Tocopilla/CH, Calama/CH, Purmamarca/RA, San Salvador de Jujuy/RA, Salta/RA, San Miguel de Tucuman/RA, Termas de Rio Hondo/RA, Santiago del Estero/RA, Córdoba/RA, Santa Fé/RA, São Borja/RS, Passo Fundo/RS, Curitiba/PR, Cascavel/PR, Campo Grande/MS, Cuiabá/MT - 5.639 km

Total = 9.499 km


Como tudo começou...

Todo motociclista sonha em fazer uma grande viagem, mas nem todos tem condições de tornar este sonho uma realidade, seja por limitações de ordem financeira, seja por dedicação à família, ou pelo trabalho que escraviza, mas o sonho permanece... Em outubro de 2008, num site de relacionamento de motociclistas do qual participamos, o fórum Suzuki On Line, surgiu a convocação do amigo marcio, de Curitiba/PR, para uma viagem em grupo para o deserto do Atacama, no Chile. Os interessados começaram a se apresentar e logo um grupo de seis sonhadores se formou. Entre eles, eu, Dogue, era o que reunia maior experiência em viagem de moto, apesar de ser um viajante solitário. Esta viagem, por ser em grupo, já me atraía pela nova experiência que seria. Entretanto, eu só estaria disponível para uma viagem longa como esta no mês de julho. Os amigos aceitaram este mês para viagem, mas só depois se conscientizaram do desafio maior que nos esperava. Julho é inverno e esta viagem nos leva a cruzar a Cordilheira dos Andes no pior período do ano. Um desafio para poucos. Loucos? Não posso negar que esta maravilhosa loucura ocupou a minha mente desde então. Planejar uma viagem como esta, que reúne desafios como superar as variações climáticas de uma travessia da Cordilheira dos Andes, em pleno inverno, com as dificuldades ocasionadas pela altitude de 4.800m, e ainda tendo pela frente o calor e a secura do deserto do Atacama, totalizando algo próximo de 10.000km percorridos... É uma tarefa e tanto! Comecei as pesquisas pela internet e localizei relatos de diversos grupos de motociclistas que fizeram viagem semelhante, mas no verão, na primavera e mesmo no outono. Mas no inverno... Acho que seremos o primeiro! Vários roteiros foram feitos por mim, inclusive com alternativas de viagens para o caso de uma nevasca impedir a nossa travessia pela cordilheira. O chamado plano B, que consiste em cruzar a Argentina, por suas principais cidades, a partir de San Salvador de Jujuy, rumo a Buenos Aires, aonde atravessaríamos de Buque Bus para Montevidéo, Uruguai, e de lá retornaríamos ao Brasil pelo Chuí. Hoje, faltam 11 dias para o início da viagem e nosso grupo foi reduzido a dois participantes. Os outros quatro amigos que não seguirão conosco, foram impedidos por problemas de diversas naturezas, mas acompanharão a nossa viagem por meio deste blog. Comigo segue o amigo Paulo Moto, de São Paulo/SP, em sua Yamaha Fazer 600N. Eu vou com a minha companheira inseparável, uma Suzuki GS500, a quem chamo carinhosamente de Azuleika, pelo seu belo tom de azul.