sexta-feira, 19 de junho de 2009
Como tudo começou...
Todo motociclista sonha em fazer uma grande viagem, mas nem todos tem condições de tornar este sonho uma realidade, seja por limitações de ordem financeira, seja por dedicação à família, ou pelo trabalho que escraviza, mas o sonho permanece... Em outubro de 2008, num site de relacionamento de motociclistas do qual participamos, o fórum Suzuki On Line, surgiu a convocação do amigo marcio, de Curitiba/PR, para uma viagem em grupo para o deserto do Atacama, no Chile. Os interessados começaram a se apresentar e logo um grupo de seis sonhadores se formou. Entre eles, eu, Dogue, era o que reunia maior experiência em viagem de moto, apesar de ser um viajante solitário. Esta viagem, por ser em grupo, já me atraía pela nova experiência que seria. Entretanto, eu só estaria disponível para uma viagem longa como esta no mês de julho. Os amigos aceitaram este mês para viagem, mas só depois se conscientizaram do desafio maior que nos esperava. Julho é inverno e esta viagem nos leva a cruzar a Cordilheira dos Andes no pior período do ano. Um desafio para poucos. Loucos? Não posso negar que esta maravilhosa loucura ocupou a minha mente desde então. Planejar uma viagem como esta, que reúne desafios como superar as variações climáticas de uma travessia da Cordilheira dos Andes, em pleno inverno, com as dificuldades ocasionadas pela altitude de 4.800m, e ainda tendo pela frente o calor e a secura do deserto do Atacama, totalizando algo próximo de 10.000km percorridos... É uma tarefa e tanto! Comecei as pesquisas pela internet e localizei relatos de diversos grupos de motociclistas que fizeram viagem semelhante, mas no verão, na primavera e mesmo no outono. Mas no inverno... Acho que seremos o primeiro! Vários roteiros foram feitos por mim, inclusive com alternativas de viagens para o caso de uma nevasca impedir a nossa travessia pela cordilheira. O chamado plano B, que consiste em cruzar a Argentina, por suas principais cidades, a partir de San Salvador de Jujuy, rumo a Buenos Aires, aonde atravessaríamos de Buque Bus para Montevidéo, Uruguai, e de lá retornaríamos ao Brasil pelo Chuí. Hoje, faltam 11 dias para o início da viagem e nosso grupo foi reduzido a dois participantes. Os outros quatro amigos que não seguirão conosco, foram impedidos por problemas de diversas naturezas, mas acompanharão a nossa viagem por meio deste blog. Comigo segue o amigo Paulo Moto, de São Paulo/SP, em sua Yamaha Fazer 600N. Eu vou com a minha companheira inseparável, uma Suzuki GS500, a quem chamo carinhosamente de Azuleika, pelo seu belo tom de azul.
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